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BRIGA pergunta a Ana Barradas sobre a “geração à rasca”

Quarta-feira, 27 Abril 2011

Reproduzimos polo seu interesse e atualidade a entrevista realizada pola organizaçom juvenil BRIGA à camarada da Política Operária e amiga da esquerda independentista galega, Ana Barradas.

BRIGA: QUE FACTORES OBJECTIVOS E SUBJECTIVOS INTERVENHEM NA APARIÇOM DO FENÓMENO DA GERAÇÃO À RASCA?

Ana Barradas: Uma parte mais consciente e activa destes jovens que se sentem “à rasca” é constituída por pessoas com algum nível escolar que viram goradas as suas expectativas de ascenso social e de ter um emprego e uma vida estáveis como esperavam, mercê dos seus diplomas e estudos.

Contudo, a sua situação precária e sem futuro é comum a muitos outros sectores (desempregados, desempregados de longa duração, reformados, idosos, contratados a prazo, temporários, salários-mínimos, enfim, todo um mundo de pessoas que já viviam com dificuldade e agora, com a crise, compreendem que vão viver ainda pior). Toda esta gente foi sensível ao discurso dos jovens à rasca e deu-se essa identificação com os objectivos da manifestação que a transformou num enorme movimento interclassista.

FOI REALMENTE TODO FRUTO DUMHA “CONSPIRAÇOM” NAS REDES SOCIAIS, OU EXISTEM FORÇAS ORGANIZADAS ATRÁS DESTAS RECENTES MANIFESTAÇONS?

As redes sociais foram importantes para propagar a mensagem, sem dúvida. Mas o essencial foi que a ideia por trás da manifestaçom era muito mediática e os jovens souberam socorrer-se dos seus apoios nos média e usaram-nos bem, sobretudo a televisão.

E houve um fenómeno igualmente mediático que muito os ajudou: o facto de Os Homens da Luta, um duo de actores cómicos que usam uma imagem de revolucionários dos anos 70, terem ganho, por votação directa do público, o Festival da Canção com uma “canção de luta” e os Deolinda terem postos a circular “Burra eu não sou”, que vocês ouviram aí na Galiza, que está no youtube e que retrata a situação da geração à rasca.

Todos estes factores misturados, mas sobretudo a actualidade e justeza da ideia política foram decisivos para um sucesso tão inesperado. Uma palavra de ordem lançada no momento correcto que vá de encontro ao sentimento da massa tem um poder fantástico.

Os partidos, que têm uma linguagem bafienta e desactualizada, foram completamente ultrapassados pelo acontecimento, que até tentaram desvalorizar por não ser da sua iniciativa.

ACHAS QUE SERÁ UMHA BORBULHA PASSAGEIRA OU PENSAS QUE EXISTEM INDÍCIOS QUE SINALAM NA DIRECÇOM DA CONTINUIDADE DOS PROTESTOS?

Este grupo de precários que se pôs à cabeça da manifestaçom lançou depois o Movimento 12 de Março (data da manifestaçom),que se define como “colectivo informal”, isto é, não partidário e não hierarquizado, “voz activa na promoção e defesa da democracia em todas as áreas da vida”, o que como programa é muito ambíguo. Vamos a ver o que sai disto, é cedo para vaticinar.

DUMHA ÓPTICA MARXISTA, QUE FALTA E QUE SOBRA NESTE MOVIMENTO DE MASSAS PARA AVANÇAR MAIS UM PASSO FACE A CONSECUÇOM DUM MOVIMENTO JUVENIL CAPAZ DE ATEMORIZAR O CAPITAL?

Este movimento não sai do quadro institucional e reclama nada mais do que um simples direito democrático, o direito ao trabalho, isto é, o direito a ser explorado. No entanto, tem uma carga emocional muito grande e potencialidades muito positivas que, aproveitadas num sentido mais radical, podem fazer toda a diferença.

Se porventura um núcleo considerável de todos os deserdados deste país decidissem deixar a sua marca no movimento e fazer ouvir a sua voz, influenciando o rumo da acção, claro que os poderes instituídos já olhariam para eles de outra maneira menos tolerante e veriam que tinham ali problemas à vista.

PORQUE GERAÇÃO À RASCA EM PORTUGAL SIM, E NOM NA GALIZA?

Provavelmente não existe ainda um movimento assim na Galiza porque as condições de vida dos jovens galegos não serão tão duras como são as destes jovens, muitos deles há longos anos sem futuro e sem nenhuma espécie de protecção social.

No entanto, numa Europa cada vez mais inimiga dos explorados, não tenho dúvida de que um pouco por toda a parte surgirão ondas de indignação e protesto, sobretudo da parte dos sectores juvenis, que se sentem castigados mais do que os outros e privados daquilo a que julgavam ter direito e lhes é negado com toda a crueldade pela Europa neoliberal dos grandes monopólios, do capitalismo decadente e incapaz de resolver a sua crise e que por isso a descarrega sobre os ombros dos mais vulneráveis.