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Tempos Duros

Quinta-feira, 21 Abril 2011

António Barata

Todos suspeitávamos que após as presidenciais o governo ia cair e que essa queda ocorreria com a vinda do FMI.

Também não era segredo que nenhum partido da oposição queria derrubar o governo antes disso e que este andava mortinho para que o derrubassem, pelo que o único “picante” da comatosa vida política nacional estava em adivinhar quem tomava a iniciativa e quando. Basta uma consulta aos jornais antes e depois das eleições presidenciais para se verificar que o guião da queda do governo e da “indesejada” crise política há muito estava definido.

Dia 5 de Junho vai o país a eleições. A farsa continua. Todos o sabem e acham natural que assim seja – volta mais uma vez o mesmo guião, com a diferença de que desta vez os seus autores são o Fundo Europeu de Estabilidade e o FMI. E para que tudo tenha um aspecto de “normalidade democrática”, desde o dia em que a banca portuguesa anunciou que o governo deixara de ter crédito, pelas televisões começaram a desfilar, um atrás de outro, banqueiros e grandes patrões esclarecendo-nos sobre a bondade da “ajuda” externa.

Com a intervenção externa o país, cujos governos que nos últimos anos vinha obedecendo servilmente ao directório franco-alemão, o país perdeu o muito pouco que lhe restava de autonomia (não é esclarecedor que os fiscais de Bruxelas nos imponham o PEC 4, apesar de ele ter sido chumbado pelo principal órgão de soberania nacional?). É certo que vão continuar a existir eleições, deputados e governo. Mas tudo isso será simples pró-forma. Não é segredo que, sejam quais forem os resultados eleitorais, vamos ter um pacto de governo do bloco central, alargado ou não ao CDS; que esse governo vai aplicar o programa que a troika (Fundo Europeu, FMI e directório da UE) lhe ditar; que esse programa incluirá tudo o que vinha no PEC 4, acrescido de outras medidas ainda mais gravosas: aumento de impostos, cortes nas pensões, congelamento das prestações sociais, flexibilização do mercado de trabalho, aumento das rendas de casa e facilitação dos despejos, despedimentos no sector do Estado, reduções salariais no sector privado (pela criação de impostos com essa finalidade), revisão das leis laborais, fim das indemnizações por despedimento, redução do subsídio de desemprego, redução do salário mínimo, fim do 13º mês e do subsídio de Natal. Ao mesmo tempo, o Estado recapitaliza bancos e empresas e entrega à privatização tudo o que der lucro. Vai ser este o programa que o PS e o PSD vão defender e aplicar, já que uma das exigências dos “nossos salvadores” é um “entendimento interpartidário”.

Aos trabalhadores portugueses vai ser imposta uma canga pesadíssima, e por largos anos. Desgraçadamente tardam em aparecer entre nós forças revolucionárias e anticapitalistas capazes de contrariar este rumo. Só a indignação na rua o poderá fazer.