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Ciberativismo e ativismo consequente

Domingo, 10 Abril 2011

Ramiro Vidal Alvarinho

As redes sociais som toda umha revoluçom nas sociedades informatizadas, já o foi o correio electrónico, mas a apariçom das redes foi mais umha volta; o seu carácter multi-funcional, o bate-papo, correio, blogue, galeria de fotos, foros e demais, permite umha maneira ágil de se relacionar com pessoal afim em todo o mundo, ou mesmo da tua área mais próxima, encontrar gente com interesses comuns e mesmo convocar reunions, concentraçons e outro tipo de atos assegurando-se de que um número considerável de pessoas vai ter constáncia da convocatória, inclusive com possibilidade de que as pessoas convocadas tragam ideias, etc.

As potencialidades destes serviços informáticos nom necessitam ser cantadas por mim… também nom é demasiado necessário insistir muito em que trás essas redes há perigos certos: primeiro, que som um espaço de frutífero trabalho para confidentes e provocadores; segundo, que evidentemente quem por motivos de ódio ideológico ou de qualquer índole quiger fazer dano, tem nessas redes umha fonte de informaçom muito valiosa. Evidentemente, cada qual deverá ver a quem admite e a quem nom admite como amig@, que informaçom quer restringir, que informaçom quer  fazer pública… porque a segurança na rede de redes é muito deficiente.

Do que se calhar nom se falou tanto é da miragem que podem criar as redes sociais. Estas ferramentas estám a criar um fenómeno que poderiamos denominar cíber-ativismo. Bem está utilizar as redes sociais como ferramenta complementar do trabalho a pé de rua. O que nunca podem ser é um substitutivo. Nom podemos pretender que todo o mundo se faga utente de determinadas redes sociais, já que é perfeitamente compreensível a objeçom de consciência contra elas, tanto polos motivos antes citados, como por outros igual de poderosos, tais como o papel das redes sociais como espaços onde um recebe umha quantidade considerável de publicidade, quer se deseje, quer nom, ou simplesmente a crítica às redes sociais como expressom de divertimentos informáticos em princípio prescindíveis (praticamente brinquedos) com pretensom de se converter num futuro numha necessidade imposta polo mercado. A isto havería que somar que a internet nom chega a toda a parte ainda e no nosso país muito especialmente, tendo em conta que a rede telefónica em muitas zonas da Galiza nom está preparada para incorporar algo que para as/os galegas/os urbanitas já fai muita parte do quotidiano.

Há muitas pessoas que pensam que se pode ser um grande ativista a partir de um foro da internet, de um blogue ou de umha rede social. Eu crio umha causa ou um evento numha rede social e consigo 500 ou 1.000 adesons e penso que está a acontecer umha cousa importante. Na realidade, se eu pensar isso, estou a esquecer umha circunstáncia; que essa causa ou esse evento na maioria dos casos nunca transcenderá da própria rede social na qual se criou e isto é um entrave nada desprezível. Isso, para nom mencionarmos que aderir a um evento de umha rede social nom compromete a nada. Apenas implica fazer clique no “sim”. Que 50 pessoas digam numha rede social que vam assistir a umha concentraçom contra os bombardeios na Líbia depois de amanhá ou dentro de duas horas, nom significa que vaiam aparecer as 50, de facto até pode nom aparecer nengumha. Outra cousa é que um grupo humano da natureza que for decida utilizar umha determinada rede social para difundir certas convocatórias entre si, mas nunca as adesons a um evento numha rede social som indicativo de nada. Interiorizar isto seria fundamental para nom cairmos em visons distorcidas da realidade e, portanto, nom cairmos também no erro de criar expetativas falsas arredor de umha convocatória e o seu hipotético seguimento.

Por outro lado, temos o problema de que muita militáncia revolucionária perde demasiado tempo opinando na internet, muitas vezes discutindo (claro está que com a melhor das suas intençons) com indivíduos que se dedicam ao trollismo profissional e que sempre ganham, a partir da sua cómoda posiçom. Internet proporciona-lhes a vantagem do anonimato, umha vantagem que é vitória segura perante umha pessoa que age a face descoberta. O debate temo-lo que ganhar na rua. Demonstrando ao povo que nós sim que estamos com ele, porque fazemos parte dele. Há que fugir da divagaçom cibernética gratuita, do puro onanismo dialético.

Os trolls cibernéticos vam pola recompensa segura; acusam sem provas, manejam o rumor, criam debates artificiais com facilidade, caluniam, tergiversam… e por muito que se lhes desmontem os argumentos, nom desaparecem jamais, porque estám blindados e nunca dam a cara. Bem está de quando em vez deixar em evidência a sua condiçom de trolls, o seu profissionalismo na provocaçom, mas limpá-los da rede é impossível.

O mais preocupante é a figura do superinteletual hiperesquerdoso que, a partir da atalaia do seu blogue pessoal, reparte responsabilidades, premia, pune, pontifica, dá e tira razons… é umha figura que o capitalismo quer ajudar a proliferar. De facto, observe-se como os media do sistema insistem nesse mito do líder quase anónimo que, a partir da net, arma umha revoluçom. Veja-se o caso da revoluçom egipcia, em que se chega a entronizar um trabalhador de google como pai de uns acontecimentos que tivérom a sua origem cronológica anos atrás e as suas causas nas injustiças sociais denunciadas polo movimento operário através de numerosos episódios de luita sempre respondidos com dura repressom. A imprensa burguesa constrói um mito pretendendo eclipsar os que trabalhárom durante anos para derrubar o regime do Mubarak, para substituir assim o seu protagonismo polo de um indivíduo, reinventando o perfil da revoluçom, dando um protagonismo a certa juventude instruída e às classes médias para diluir os motivos do movimento. A revoluçom era para protestar pola corruçom política, a falta de liberdades, o desemprego, as restriçons sociais e a carestia dos produtos básicos ou era porque a juventude quer o estilo de vida dos seus companheiros de geraçom no primeiro mundo e querem internet, telemóveis, roupa de marca, motas e carros potentes…?

A figura deste trabalhador de Google tem certas semelhanças – ou parece que se lhe querem dar essas semelhanças – com a blogueira cubana Yoani Sánchez, da qual alguns querem fazer umha heroína e umha campeá das liberdades, através do mito de umha mulher sozinha que desafia a “férrea ditadura” cubana. Nada mais longe da realidade. Algum dia haverá que se deter em analisar certos ícones da “dissidência” cubana. Em qualquer caso, precisemos que está sobradamente demonstrado que sem a ajuda técnica e financeira exterior, a tal Yoani Sánchez nom poderia realizar a sua atividade.

A questom é que, influenciados ainda que seja de maneira inconsciente por estes mitos da sociedade burguesa, há muitas pessoas de ideias progressistas que se lançam a aventuras semelhantes, se calhar sob a tentaçom de atingir  notoriedade no cibermundo. Como qualquer outra ferramenta informática, os blogues podem ser muito úteis ou podem ser armas de dous gumes, segundo como se utilizarem.

As verdadeiras luitas continuam a dar-se na rua. O mundo virtual nunca pode substituir o mundo real e no momento em que se pretenda substituir a açom na rua pola divagaçom gratuita na rede, estará-se a adotar umha postura contrarrevolucionária. Em qualquer caso, o mundo virtual deve ser utilizado ao serviço da nossa luita no mundo real.