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Sortu e a militarizaçom espanhola

Sexta-feira, 25 Março 2011

Iñaki Gil de San Vicente

Umha das contribuiçons fundamentais de Rosa Luxemburgo à crítica do capitalismo foi a análise da militarizaçom como elemento chave da fase imperialista que se iniciava por aquela época. A história do século XX e o que vai de XXI tem corroborado a sua teoria e a alargou até extremos entom inimagináveis. Por exemplo, calcula-se que ao redor de 20% da força de trabalho ativa de EEUU na década de 1980 estava relacionada com o complexo industrial-militar, e esta percentagem seguiu a sua tendência à alça. A militarizaçom nom penetra só no económico e no Estado mesmo, senom que estende os seus tentáculos na indústria político-mediática, na produçom de culturinha de massas, no planejamento universitário, na sociedade inteira. Engels já anunciava esta tendência à fusom entre todos os componentes sociais ao ressaltar a identidade de fundo entre os acoiraçados e a sociedade capitalista. Pressionadas por esta evoluçom imparável, as burguesías atrasadas e débis que se protegiam com exércitos tardo-medievais e poderes reaccionários que afundam as suas raízes em modos tributários e esclavagistas de produçom, como a Igreja, recorrerom à militarizaçom capitalista para tentar recortar as distâncias que lhes separam das potências imperialistas hegemónicas, ou ao menos para evitar que aumente esse abismo. Umha comparaçom entre a militarizaçom do Estado francês e do espanhol daria-nos leiçons muito instrutivas sobre as diferenças formais que existem na idêntica opressom nacional que exercem contra Euskal Herria e os Països Catalans mas desbordaríamos o espaço disponível.

 

A militarizaçom moderna espanhola inicia-se definitivamente com a chegada de técnicos nazis para racionalizar a produçom bélica das indústrias bascas em 1937, a fim de rearmar ao exército internacional franquista. O muito efetivo planejamento industrial-militar nazi, herdeira da Prussia bismarckiana, demorou em cuajar no capitalismo espanhol pola tecnofóbia da sua classe dominante: “que inventem eles”, “viva a morte, abaixo a cultura”, etc. A guerra de Ifni e a Marcha Verde mostraram o arcaísmo do muito débil complexo industrial-militar espanhol. Depois de vas tentativas modernizadoras realizados por UCD foi o PSOE quem criou a estratégia para a militarizaçom para além do estritamente bélico, aproveitando tanto os inícios nazis como o papel central do Exército na Constituiçom avalada polo rei que Franco nomeou. A entrada na OTAN foi imprescindível para isso, como a ajuda bélica ianqui nos ´50 foi-no para sustentar a ditadura. Ao mesmo tempo, estreitava-se a interaçom entre a racionalidade militar e o endurecimento das opressons políticas, e os GAL forom um banco de prova do que sairiam depois as sucessivas estratégias repressivas que, por agora, culminarom na Lei de Partidos e na participaçom espanhola no ataque imperialista a Líbia, depois da experiência adquirida em outras guerras recentes. Nestes momentos, a produçom industrial-militar espanhola, de tecnologia média-alta, é umha das muito poucas ramos econômicos rendáveis.

 

Algumhas esquerdas tradicionais sustentarom nos ´80 e ´90, dantes de desaparecer, que era impossível a existência de umha racionalidade militar burguesa porque, segundo diziam, exército e inteligência eram incompatíveis. Foi um profundo erro que afundou a debilidade teórica precisamente quando o imperialismo criou a desculpa da “guerra humanitária” enquanto germinava umha crise como a atual na que o comando económico é simultaneamente político-militar. Para outros a globalizaçom fechava a fase militarista porque também finiquitava a fase imperialista, e virom em Obama, prêmio Nóbel à “pax americana”, um exemplo do avanço a umha “governança mundial” superadora do “violento século XX”. Rosa Luxemburgo destroçaria de um plumaço tanta superficialidade. Enquanto se davam estes devaneos o capitalismo espanhol avançava na fusom dos seus poderes até chegar à situaçom presente. Um exemplo temo-lo na diferença entre a negativa do PSOE a participar no Iraque e o ataque espanhol a Líbia. Que ocorreu nestes oito anos? Depois da cega eufória de entom desde 2007 voltou a crua realidade, e a militarizaçom que ia sendo reforçada desde a década de 1980 apareceu como o que é, além de umha característica fundamental de todo o capitalismo, no caso espanhol, um dos instrumentos decisivos para a sua sobrevivência nacional-estatal.

 

O nacionalismo imperialista espanhol está a soldar umha unidade político-militar, econômica e cultural na que os seus diversos componentes interagem de forma crescente. O Exército espanhol interveu já durante a luita popular contra a nuclearizaçom em Euskal Herria. Mais tarde, o Estado espanhol conseguiu que a NATO fosse garante da “integridade nacional” dos seus membros. Por um lado, a cada vez que alguém duvida sobre o papel angular do rei e do Exército, chama-se-lhe à ordem de imediato. Por outra parte, a militarizaçom do PSOE aprecia-se vendo como os dous supostos sucessores de Zapatero estám estreitamente relacionados com o policíaco-militar, governo que nom reprimiu a greve dos controladores aéreos militarizando o conflito. Ademais, a centralidade hierárquica, disciplinária e concetual inerente à militarizaçom burguesa domina já no nacionalismo espanhol de CCOO e UGT, decididos a varrer as “particularidades regionais” do sindicalismo luitador das naçons oprimidas e impor umha estatalizaçom antidemocrática que agilize a corrente de comando da CEOE sobre os povos trabalhadores para aplicar os durísimos planos já decididos. Por se fosse pouco, todo isso se realiza dentro do enquadramento repressivo mais duro da UE, como reconheceu nom fai muito o ministro Rubalcaba. Também nom devemos esquecer a contraofensiva linguístico-cultural espanhola e o renascido nacional-catolicismo tridentino e imperial que avança ao som de condenaçons inquisitoriais.

 

Mas a racionalidade militar e a arte da guerra aconselham dispor sempre do que em política se chama “plano B”, ou seja, táticas alternativas ante os movimentos do inimigo. Aqui podemos aplicar ao Estado espanhol as teses de Lenine sobre a dialética entre guerra e política, e de Gramsci entre “guerra de movimentos” e “guerra de posiçons”, para compreender por que tivo algumhas diferenças no seu Tribunal Supremo à hora de ilegalizar Sortu, e as possibilidades que lhe abrem para outras decisons futuras sobre este partido dependendo da evoluçom do conflito. A ilegalizaçom de Sortu mostra que o Estado conseguiu apressar ao extremo a contrainsurgência de desgaste em longo prazo para romper a tendência acumulativa à alça de forças soberanistas e independentistas, desgaste para o que todo vale. Agora bem, nas longas confrontaçons costuma-se quartear a firmeza do bando opressor ante a decisom do bando oprimido, abrindo fisuras nos seus quartéis gerais. Maquiavelo, primeiro teórico da racionalidade político-militar, advertia ao Príncipe que em determinados momentos o político é mais efetivo que o militar, leiçom histórica que Napoleón corroborou dicindo que com as baionetas pode-se fazer de todo exceto sentar-se sobre elas.