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Um olhar à actual ofensiva ideológica e repressiva do Capital

Segunda-feira, 21 Março 2011

Carlos G. Seoane

A actual crise capitalista internacional bate com dureza nos elos fracos das economias de mercado, demonstrando a hierarquizaçom das potências e sub-potências nacionais que representam os interesses das burguesias respectivas. O brutal impacto da crise capitalista no Estado espanhol, com umha economia sustentada na especulaçom imobiliária, financeira e fortemente dependente dos subsídios da Uniom Europeia, torna visível a fraqueza e submissom de umha sub-potência imperialista, como é a espanhola, aos ditados do grande poder do dinheiro representado polo FMI e o Banco Mundial e às grandes potências imperialistas centrais, os EUA e a Alemanha.

O enquadramento da Galiza de segunda década de século XXI na periferia do centro capitalista mundial determina um desenvolvimento próprio das contradiçons do modo de produçom hegemónico na nossa formaçom social: o capitalismo no início do seu declinar.

A repercussom da crise capitalista na Galiza provoca que a classe trabalhadora galega esteja a pagar com o seu esforço o insaciável desejo de lucros do capitalismo espanhol. Os principais indicadores sociais assim o revelam: o número de desempregad@s alcançou o seu máximo histórico com o início de 2011 -entre @s que destaca 27% de jovens menores de trinta anos que se vem privad@s do seu direito ao trabalho e tenhem que procurar na emigraçom umha saída para se dotar dumhas mínimas perspectivas de futuro-, o aumento de preço dos produtos básicos com a conseqüente perda de poder aquisitivo o qual provoca que mais da metade das famílias galegas declarem dificuldades para chegar a fim de mês, o aumento de pobreza e exclusom social, e umha longa ladainha do que poderíamos denominar condiçons objectivas dumha realidade em que o Capital se dispom à ofensiva contra o Trabalho para evitar o progressivo retrocesso da sua taxa de lucro.

 Reforçamento da dominaçom ideológica burguesa

O actual desastre social e económico demonstra o fracasso do modo de produçom capitalista para garantir a satisfaçom plena das necessidades inerentes ao ser humano, posto que só procura satisfazer a necessidade do benefício. A agudizaçom extrema das contradiçons da economia de mercado determinam umhas condiçons objectivas de falência sistémica recolhidas em inúmeráveis estatísticas nas quais a militáncia anticapitalista nos apoiamos para nos armarmos de argumentos no combate ideológico e assim poder aumentar a massa de oposiçom diante desta ordem social injusta. Pode parecer que em ocasions nos movamos como peixes na água, porque os números cantam a inviabilidade do sistema e o povo trabalhador vai ser mais permeável a um  discurso libertador do jugo capitalista.

A realidade é outra bem diferente. O capitalismo sabe das suas contradiçons, reconhece-as publicamente mediante os estudos estatísticos que fam as suas próprias instituiçons mas, porque o povo trabalhador nom compreende ou nom chega a ver estas contradiçons e se organiza com o objectivo de construir umha sociedade nova, socialista?

A maquinaria ideológica do Capital procura constantemente readequar-se perante a necessidade de manter os seus lucros, para o qual precisa reforçar periodicamente os seus mecanismos de opressom e dominaçom, adormecendo a consciência do povo trabalhador, ofensivas periódicas mediante a introduçom de enganos inconscientes em todas as esferas da nossa vida que impidam o despertar  de qualquer tipo de resistência.

Uns dos grandes partícipes em fazer mover esta maquinaria som os meios de comunicaçom da burguesia. Constituem os grandes alto-falantes da falsa consciência necessária para que @s dóceis explorad@s reproduzam  a sua informaçom de maneira acrítica contribuindo para a criaçom de estados de opiniom legitimadores da situaçom de privilégio social para a classe exploradora.

O movimento popular erige-se num dos principais elementos a combater polos mass media enquanto tem a capacidade para questionar a abafante dominaçom ideológica. É paradimático o tratamento do movimento operário na grande campanha mediática desenvolvida desde Setembro do passado ano, que punha como objectivo a deslegitimaçom da actividade sindical para declarar inoportuna a necessidade de criar “crispaçom social” nestes momentos de crise em que “há que arrimar o ombro”, “apertar o cinto” ou “ser exemplo de austeridade”. Os ataques à figura do “liberado sindical”, o linchamento mediático d@s trabalhadores/as que controlam o tránsito aéreo ou o questionamento do direito à greve som alguns dos mísseis disparados polos media para bombardear às massas com umha opiniom favorável aos interesses da patronal.

 

Por outra parte, é igualmente exemplar o tratamento que vem recebendo nestes últimos meses o movimento independentista, especialmente na imprensa de corte espanholista instalada na Galiza -comandados por La Voz de Galicia, El Correo Gallego ou Xornal de Galicia-, com motivo dos recentes ataques a sedes de partidos e sindicatos espanhóis, escritórios de emprego ou entidades bancárias no nosso país. Estes meios de clara inspiraçom sensacionalista procuram fabricar notícias espectaculares que contribuam progressivamente para justificar a execuçom de umha eventual operaçom policial repressiva de importante magnitude, para o qual precisam estender a criminalizaçom e estigmatizaçom de centros sociais, organizaçons juvenis e políticas da esquerda independentista. Demandam constantemente às forças policiais e judiciárias para que actuem com diligência sem que seja necessário que cumpram rigorosamente com os protocolos estabelecidos polas suas próprias leis (intervençom da linha telefónica, seguimento policial pessoalizado, etc.)

Endurecimento repressivo

Quem optar por denunciar toda esta rede de falácias destinada à dominaçom ideológica da massa explorada e passe a desafiar directamente o sistema com umha praxe revolucionária verdadeiramente conseqüente, vai deparar com a repressom.

A repressom, como arma de classe, é inseparável da luita de classes. Pode-se estabelecer que na luita de classes da Galiza de 2011, a classe exploradora erige-se em sujeito atacante mediante a actual ofensiva brutal contra as principais conquistas sociais do povo trabalhador, quem se torna em sujeito resistente, a desenvolver um papel defensivo perante os embates da burguesia e os seus principais valedores.

A contínua deterioraçom das condiçons materiais de existência do povo trabalhador e o accionar de forças rebeldes e combativas que procuram despertar da subjectividade revolucionária do povo explorado, demonstram umha lenta, mas progressiva, radicalizaçom da luita do movimento popular. O aumento gradual do nível repressivo tem-se manifestado explicitamente desde os centos de sançons administrativas que castigárom @s grevistas do metal e da construçom do sul da Galiza durante a negociaçom dos seus convénios laborais, passando pola enorme ocupaçom policial  das nossas vilas e cidades durante todo o ano Jacobeu que provocárom graves problemas para o livre tránsito polas nossas ruas, até o forte dispositivo policial que cobriu corpo a corpo @s grevistas em 27 de Janeiro passado que deixou um total de 16 detidos entre a própria jornada de greve geral e durante os dias posteriores.

O Estado dispom de mecanismos para se adaptar à realidade em que tem de actuar, polo qual a categorizaçom de repressom de baixa intensidade nom deve continuar a ser empregada polo movimento popular, porque pode desprezar, e inclusive obviar, o nível de endurecimento repressivo que pode ser quem de aplicar. A declaraçom em Dezembro do passado ano do estado de alarme realizada polo governo repressor do PSOE demonstra claramente até onde se pode chegar apoiando-se na sua venerada Constituiçom perpetuadora da economia de mercado e do cárcere de povos. Na nossa memória fica gravada a imagem do estamento militar tomando parte num conflito laboral no qual os media se encarregárom de ganhar a opiniom pública. A recente reforma do Código Penal caminha na mesma direcçom de se adaptar a novas realidades de luita travadas polo movimento popular e nas quais salienta, entre outras novidades repressivas, a consideraçom de grupo terrorista ao integrado por mais de duas pessoas que reiterem na execuçom de faltas ou delitos que alterem a ordem constitucional, ou aquela que abre a ambigüidade da definiçom de associaçom ilícita em que nom é necessária a existência de forma jurídica algumha da associaçom em questom e, além do mais, permite apoiar-se no critério de umha suposta “natureza intrinsecamente delitiva”.

Que fazermos diante desta ofensiva?

A militáncia revolucionária acha-se ante um cenário muito adverso como parte principal desse sujeito de resistência colectiva à ofensiva ideológica e repressiva do Capital, mas nunca as condiçons objectivas fôrom tam boas como para argumentar o nosso ódio por esta ordem social que nos explora e oprime. Temos de nos manifestar intransigentes na batalha de ideias diária contra as diversas expressons de opressom e dominaçom ideológica da burguesia, quer venham directamente do seu aparelho propagandístico ou por meio das diferentes versons do revisionismo. Há que desenvolver umha praxe revolucionária coerente com o nosso discurso, demonstrar umhas convicçons muito firmes para nom cair nos grandes erros e traiçons dos reformismos que se instalárom na lógica do sistema.

@s militantes da nova Galiza rebelde devemos preparar-nos para saber enfrentar a possibilidade de novos cenários em que a forças repressivas executem os planos desenhados nalgum escritório da Audiência Nacional espanhola ou nalgum gabinete de qualquer jornal da burguesia. Adquirir hábitos “saudáveis” de segurança militante torna imprescindível e necessário, para o qual devemos interiorizar a repressom como mais umha companheira de viagem, evitando cair na magnificaçom desta ou no vitimismo.

No nosso pensamento revolucionário e no nosso agir está a resposta à actual ofensiva sistémica. Devemos bater com força quando pudermos e estender a solidariedade activa quando tentem bater sobre nós. Eis a dialéctica da luita entre exploradores e explorad@s.

Carlos G. Seoane fai parte do Comité Central de Primeira Linha