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Abrente 59 já em formato de fácil leitura

Sexta-feira, 18 Março 2011

Disponibilizamos em formato de fácil leitura o Abrente nº 59, correspondente ao primeiro trimestre deste  ano. Reproduzimos também o editorial correspondente a este número.

Editorial nº 59

Conjura de canalhas

O enganosamente denominado “Acordo Social e Económico para o crescimento, o emprego e a garantia das pensons”, assinado a 2 de fevereiro polo governo espanhol do PSOE, o patronato e o sindicalismo corrupto e entreguista, nom foi nengumha surpresa. Era visto! Cándido Méndez e Fernández Toxo levavam meses preparando esta nova traiçom à classe obreira e ao povo trabalhador. A rotunda negativa a convocar greve geral para frear umha das maiores agressons contra as conquistas sociais nas últimas décadas prognosticava este desenlace suficientemente anunciado.

As três mentiras do enunciado nom ocultam o engano promovido por quem deve ser caracterizado como integrante do projeto reaccionário do patronato e os partidos burgueses.

CCOO e UGT há muito tempo deixárom de ser sindicatos de classe para se transformarem em duas gigantescas empresas com milhares de assalariados com um objectivo prioritário: conter a rebeldia, domesticar e neutralizar os sectores operários e populares, procurando incorporá-los na lógica derrotista da conciliaçom.

Cada dia parecem-se mais com o sindicalismo peronista argentino: imensas maquinarias burocráticas dirigidas por enriquecidos cleptómanos sem escrúpulos que, combinando a gestom de fabulosos subsídios estatais com a direcçom de um opaco holding de empresas. Fam parte das elites do regime burguês ao qual devem estar eternamente agradecidos.

Nom podemos desconsiderar que cada umha destas duas “centrais sindicais”-empresas foi subsidiada com mais de cem milhons de euros o ano passado segundo as informaçons oficiais. Ao que há que acrescentar as mais variadas ajudas e negócios sujos em que investem as suas elites. Ainda está fresco o escándalo imobiliário IGS-PSV que, incompreensivelmente, só provocou a queda de Nicolás Redondo em meados dos noventa.

A greve de 29 de setembro foi convocada sem o mais mínimo entusiasmo. Inicialmente condicionados pola sua base social basicamente procuravam frear o enorme descrédito que arrastam promovendo umha greve de baixo perfil que nom buscava parar o governo amigo. Mas posteriormente à campanha promovida por setores do PP e do PSOE contra os “liberad@s” e delegad@s sindicais, optárom por apostar no seu sucesso para evitar que o regime juancarlista modificasse os acordos da Transiçom que reconhecem a sua representatividade como interlocutores sociais, e os enormes privilégios emanados dos Patos da Moncloa de 1977. A burocracia via perigar a perpetuaçom do seu estátus e inclinou-se por apresentar um pulso ao governo. A elevada adesom da greve geral nom agradou aos seus líderes que rapidamente optárom por reconduzir a situaçom reincorporando-se a mesa de negociaçons, e atingindo mais dinheiro público para comprar consciências e seguir vendendo a classe obreira. Eis porque nom continuárom com a luita e polo que nom se somárom à greve geral nacional de 27 de janeiro.

CCOO e UGT som inimigos da classe obreira, som sindicatos amarelos, simples apêndices do Capital. Há pois que combatê-los sem trégua.

E ainda menos deve surpreender a política neoliberal que está aplicando Zapatero. Ao contrário de CCOO e UGT, o PSOE nom atraiçoa ninguém. Tam só aplica o seu verdadeiro programa ao serviço do imperialismo alemám e norte-americano, seguindo instruçons da grande burguesia espanhola tal como acordárom na sua refundaçom em Suresnes em 1974.

As comunistas galegas e galegos sempre manifestamos que o PSOE mais cedo que tarde estava obrigado a retirar a máscara, aplicando o seu verdadeiro programa neoliberal e espanholista. Só a pseudo-esquerda burguesa e o autonomismo depositavam expetativas no novo talante do socialismo espanhol. Foi a pequena burguesia urbana quem contribuiu a construir o falso mito de um novo PSOE de sensibilidade social e cultura democrática, alimentando o medo à volta da direita representada polo PP.

Mas o PSOE de Zapatero sempre foi e é o mesmo da época de Felipe González. O PSOE da corrupçom, do ataque sistemático à classe trabalhadora e às conquistas populares, da negaçom do direito de autodeterminaçom, da repressom e corte de liberdades, do intervencionismo subimperialista sob a batuta ianque.

O PSOE está a aplicar umha política económica, laboral e social idêntica à do partido de Rajói e Feijó. A única diferença é que o PP teria mais dificuldades para a sua implementaçom.

A ofensiva contra as conquistas operárias, populares e sociais, plasmadas na última reforma laboral e no aumento da idade de reforma, está a aplicar-se de forma simultánea com o incremento de cada vez mais intensas pressons e declaraçons hiper-recentralizadoras com as que o espanholismo pretende alterar os acordos da Transiçom. O “café para todos” já nom lhes vale. Agora procuram umha reestruturaçom administrativa involucionista para fazer frente às demandas de libertaçom nacional dos povos que o Estado imperialista espanhol oprime e explora.

Mas nom vamos ser nós, da Galiza e do comunismo galego, que marquemos o programa de luita e os passos a dar para que o proletariado espanhol se dote de ferramentas de combate que superem os modelos reformistas e jacobinos imprescindíveis para quebrar o bloco de classes oligárquico espanhol.

A nossa prioridade, sem desatender modestamente os nossos compromissos internacionalistas, está centrada em construir um partido comunista combatente que contribua para a emancipaçom da classe obreira galega e a libertaçom da nossa Pátria com um programa genuinamente antipatriarcal. Eis a coerente trajetória dos quinze anos que este 1º de maio cumprimos.

Sabemos que a tarefa é gigantesca e complexa, mas nom avalizamos nem duvidamos sobre a cada vez maior vigência e necessidade de contar com um forte e implantado independentismo socialista nos centros de trabalho e ensino, nas ruas do nosso País.

A luita ideológica é fundamental para poder avançar. Um projeto insurgente como o que estamos cincelando nom se constrói conciliando com o reformismo, nem procurando o seu aplauso e simpatia. Ao contrário! Só mediante o confronto podemos avançar, desmascarando e enfraquecendo toda forma de colaboracionismo e capitulaçom. Nom temos hipotecas nem dívidas com ninguém. A nossa independência política é plena.

O movimento demonstra-se andando. A Revoluçom Galega é o nosso objetivo. Todas as nossas energias e recursos, a nossa intervençom tática e setorial só se supedita à criaçom de condiçons subjetivas que possibilitem o êxito de um processo insurreccional. Poderemos ser aculnhad@s de maximalistas e fantasiosos por aqueles que levam décadas atolados em processos eleitorais, enganado o nosso povo com promessas incumpridas, com avanços inexistentes. Mas nom nos importa! Nós só temos que dar explicaçons à classe obreira e à Pátria.

A crise crepuscular do capitalismo está golpenado com força na Galiza. O incremento do desemprego, a queda do poder aquisitivo e aumento da pobreza e exclusom social, a emigraçom da juventude, a precarizaçom dos contratos, coincide com o reforçamento dos mecanismos para disciplinar a classe obreira. O resultado é umha complexa situaçom na que embora cada vez seja maior o mal-estar, este ainda nom está suficientemente madurecido para cristalizar em revoltas e explosons sociais. Diferentemente doutras latitudes planetárias, aqui ainda há um enorme colchom social e ideológico que impossibilita traçar com precisom as causas e os responsáveis pola crise económica.

A atitude vacilante da direcçom do sindicalismo nacional e de classe maioritário, e a sua hipoteca com o regionalismo social-democrata, contribui para moderar e apagar a resposta obreira e popular. Apostam exclusivamente em respostas ordeiras e orgánicas. Nom toleram a mais mínima expressom de coerência na luita e combate obreiro. Condenam sem paliativos a resistência proletária.

A combinaçom de diversos fatores interligados permitem explicar porque o resultado da greve geral nacional de 27 de janeiro ficou a meio caminho. As dúvidas e contradiçons internas e a morna orientaçom que a direcçom da CIG imprimiu à jornada evitando paralisar serviços, comércio e hotalaria, incidir nas vilas e cabeceiras de comarca, para nom confrontar os setores intermédios a que se dirige o BNG, nom se pode dissociar da ocupaçom policial e do silenciamento mediático. Tampouco se pode subestimar os enormes limites e insuficiências de um modelo de sindicalismo que nom ideologiza a enorme estrutura de delegadas e delegados, nem favorece a participaçom ativa da filiaçom na açom sindical da central.

Todo isto impossibilitou que a jornada atingisse o sucesso desejado. Porém, constatou a existência de um setor qualitativa e quantitativamente importante que nom se submete à lógica da resignaçom imperante e que cumpre radicalizar seguindo a orientaçom dos povos trabalhadores da Grécia, Tunísia ou o Egipto 

* * *

O XXX aniversário do autogolpe de estado de 23 de fevereiro voltou a ser novamente aproveitado polo regime da II Restauraçom bourbónica para reforçar essa enorme falácia da Coroa como garante da democracia. Todas as forças com representaçom institucional em Madrid participárom na farsa que tam só procura reforçar um regime que nom momento em que esteja questionado pola imensa forças das naçons oprimidas, da classe trabalhadora e das mulheres, nom duvidará em agir como as estruturas de dominaçom que os povos do norte de África e do Oriente Médio estám conseguindo fazer cair. Em 1981 dérom um autogolpe de estado para restringir ainda mais as conquistas nacionais e sociais atingidas nos anos prévios. Que nom som capazes de fazer numha situaçom em que virem os seus privilégios realmente ameaçados?

O tsunami que percorre a Tunísia, Egipto, Bahrein, Iemem, Líbia… é revelador do enorme cinismo com que agem Espanha e as potências centrais da UE em política internacional. Exigem a Cuba, Venezuela ou Irám respeito polos direitos humanos, mas permitem que os governantes dos países aliados violem, reprimam, espoliem com extrema dureza os seus povos.

Os negócios do petróleo, da energia, das armas prevalecem sempre sobre os direitos humanos para o imperialismo.

A posiçom face o regime líbio é completamente diferente a que mantivérom com Mubarak ou Ben Ali. A crueldade do aparelho de dominaçom de Gadaffi nom é qualitativamente diferente das monarquias feudais do Golfo Pérsico aliadas dos EUA. Som os povos que tenhem que conseguir a sua libertaçom sem ingerêncais externas. Da Galiza rebelde e combativa saudamos e apoiamos as insurreiçons populares que percorrem o Mediterráneo ameaçando a estabilidade do Estado terrorista de Israel e o imperialismo ianque e europeu.