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O nosso Telmo

Terça-feira, 15 Março 2011

Carlos Morais

Na costa sul do País, este nome tem um certo enraizamento, polos seus vínculos marinheiros. Possivelmente, os dous Telmos mais conhecidos atualmente na Galiza som Telmo Martim e Telmo Varela.

Ambos nascêrom há um pouco mais de cinqüenta anos no seio de famílias humildes. O primeiro, à beira da ria de Ponte Vedra e o segundo, na de Vigo. Provavelmente nom se conheçam pessoalmente, mas sim sabem um do outro.

Embora tenham um conjunto de similitudes, as suas biografias representam as duas Galizas antagónicas, irreconciliáveis, características de umha sociedade de classes. O primeiro abandonou as suas origens e o segundo mantém-se leal à sua classe.

Telmo Martim foi, durante duas legislaturas, 1999-2007, Presidente da Cámara de Sam Genjo. Durante os anos dourados da euforia do tijolo, amassou umha enorme fortuna vinculada com a construçom e os negócios imobiliários. Na atualidade é a aposta estrela do PP para recuperar a alcaldia de Ponte Vedra.

Telmo Varela é secretário-comarcal da CUT de Vigo, operário metalúrgico no desemprego e luitador comunista pola causa operária galega. Pertence à estirpe do Vigo proletário mais heroico e combativo. Por se implicar a fundo desde jovem na luita anticapitalista, estivo duas décadas preso. Com modéstia, discreçom e humildade, pratica um coerente sindicalismo de classe. O que nem se compra nem se vende, nem se deixa seduzir polos privilégios com  que o sistema premia a burocracia corrupta e entreguista.

Nom conheço Telmo Martim. Só sei dele pola imprensa, mas, afortunadamente, sim tenho o orgulho de compartilhar inquietaçons, sonhos e combates com Telmo Varela.

Enquanto Telmo Martim consegue, pola imprensa canalha, permanentes títulos e algumha manchete favoráveis e carregados de louvores, Telmo Varela acaba de padecer na última semana umha feroz campanha de intoxicaçom, umha infame criminalizaçom por esses mesmos meios que já o condenárom sem provas nem julgamento, violando o formalismo do seu próprio sistema judicial baseado na presunçom de inocência.

Segundo os valores dominantes, Telmo Martim é o paradigma do empresário modelo, do homem feito a si próprio, do triunfador. Telmo Varela representaria o extremista, o inadaptado, o perigoso combatente pola liberdade e a justiça social.

Nengumha das duas biografias podem passam despercebidas. Nem som anónimas, nem se mantenhem passivas à margem da dialética histórica. Atuam e influem no curso dos acontecimentos em pleno desenvolvimento. O primeiro, em sentido involucionista e reacionário. O segundo, com umha orientaçom progressiva e emancipatória.

Telmo Martim centrou parte da sua vida em amassar suculentos negócios requalificando terreios, adaptando sem o mais mínimo pudor o PGOU de Sam Genjo às necessidades das suas empresas de construçom; enquanto Telmo Varela encabeçou um maciço movimento vicinal viguês contra a especulaçom urbanística do PGOM de Corina Porro.

Telmo Martim amputou o perfil da costa da sua ria, inçando-a de cimento e portos desportivos, sendo um dos mais firmes aliados do lobby das celuloles para a continuidade da mortal factoria de Ence-Elnosa.

Telmo Varela participa ativamente no movimento social contra os aterros e as permanentes agressons ambientais que padece a poluída ria de Vigo. A sua constância foi determinante na hora de denunciar os perigos e ausência de segurança da depuradora do Lagares, em Corujo.

Telmo Martim é um empresário da direita sem escrúpulos, com centenas de assalariados cujas condiçons de trabalho brilham pola  ausência. Apoia as reformas laborais, nom gosta dos sindicatos e considera necessário liberalizar ainda mais o mercado. A política nom é mais que umha magnífica oportunidade de alargar os seus negócios.

Telmo Varela entrega a sua vida à causa do proletariado, participa em inumeráveis luitas obreiras, promovendo o sucesso das últimas duas greves gerais. A militáncia revolucionária é um compromisso ético e altruísta com a humanidade explorada e oprimida.

Telmo Martín é multimilionário. Accionista de dúzias de empresas, proprietário de casas e solares. Telmo Varela é um trabalhador do naval desempregado.

Telmo Martim fai parte dessa burguesia autóctone que renuncia à sua Pátria, que repúdia o seu povo, apostando na destruiçom do nosso idioma e cultura, na espanholizaçom da Galiza. Telmo Varela é um operário consciente e instruído, que aplica o desenvolvimento leninista do marxismo à sua realidade nacional. Frente à assimilaçom espanhola, é um firme defensor do direito de autodeterminaçom e da necessidade de dotar a Galiza de um Estado obreiro.

Telmo Varela nom é dos que calam nem se acanha perante as injustiças que promove gente como Telmo Martim.

Telmo é dos que nom se resignam nem capitulam. É um claro expoente da Galiza rebelde e combativa, imprescindível para que o furacám da história converta num pesadelo do passado figuras como a que Telmo Martim representa.

Sem lugar à mais mínima dúvida, o nosso Telmo sabemos quem é. O nosso povo necessita mais Telmos Varelas.

Para ele, reclamamos a imediata liberdade e, até a sua cela da prisom da Lama, enviamos umha fraterna saudaçom revolucionária.

Galiza, 14 de março de 2011