As diabruras de um império pentagonizado

Narciso Isa Conde

Isso da pentagonizaçom do imperialismo estado-unidense nom é um simples falar, nem deve ser medido exclusivamente com os parámetros convencionais da militarizaçom da política exterior de um ‘super-estado’ com delírios de domínio mundial.

O nível actual de pentagonizaçom dos EUA guarda relaçom com a amálgama entre Estado, ciência, complexo industrial-militar e corporaçons privadas ligadas, numha fase de grande decadência e, portanto, de muita agressividade.

Tem-se falado muito do ‘Echelon’, programa estado-unidense utilizado para espiar os seus aliados, nomeadamente empresas e empresários europeus.

Também se conhece bastante de ‘Carnivore’, programa espia informático para monitorear a Internet (o que lá se escreve), criado e desenvolvido polo FBI no contexto do governo do ‘bonzinho’ Bill Clinton.

Tem sido bastante analisada também a tese da guerra preventiva e todo o relativo à tristemente famosa ‘guerra antiterrorista’, ‘guerra global’ ou ‘guerra infinita’, posta em prática a patir do Pentágono e da Casa Branca para conquistar petróleo, gás, água, biodiversidade, ópio e minerais estratégicos; dadas as agudas carências dessa grande potência, predadora e consumista em extremo, temerosa de aportar por isso ao fim da vida como império.

Reitera-se, além do mais, a cada passo, o programa de ‘guerra das galáxias tam questionado por amplos sectores do planeta.

Agora mesmo, nom poucas mentes estám atentas à reabilitaçom e ao andamento da IV Frota da Armada dos Estados Unidos, comandada polo Contra-almirante Joseph Kernan, chefe do comando de Tácticas Especiais de Guerra Naval e ex-membro do Grupo SEAL, comando de elite de amplas experiências de extermínio no Vietname, Laos e Camboja.

O ‘terrorismo’, o ‘narcotráfico’ e a ‘migraçom’ som os alvos proclamados desse operativo naval, que tenciona agora entrar à rede dos grandes rios sul-americanos para preparar o seu plano oculto: a tomada militar da Amazonia e das suas enórmes riquezas, sobretodo aquelas linhas em que os EUA exibe um dramático défice para a continuidade da sua vida imperial.

Atençom: Guerra climática!

Mas todo isto fica curtinho quanto a vocaçom perversa e a capacidade de maldade para se impor pola via da força, a destruiçom, o ecocídio e o genocídio, ao determo-nos para observar o seu innovador e tenebroso capítulo sobre ‘guerra climática’. Vejamos:

“Em Gakona, Alaska, a Força Aérea, a Marinha e o Gabinete de pesquisa de projectos avançados de defesa do Pentágono instalárom 180 antenas que funcionam como umha só e som capazes de emitir até um biliom de ondas de rádio de alta freqüência que introduzem umha massa ingente de energia na ionosfera, ou camada superior da atmosfera, que reenvia para esta radiaçons que aumentam a sua temperatura. Pode-se assim induzir umha mudança na ionosfera que permite alterar o clima de umha zona seleccionada da superfície terrestre com seqüelas desastrosas: chuvas excessivas, inundaçons, multiplicaçom dos furacáns, secas prolongadas, terramotos, a interrupçom da subministraçom eléctrica e das comunicaçons por cabo, acidentes graves em gasodutos e oleodutos, etc. Será umha arma de guerra geofísica?...

“O economista canadiano Michel Chossudovsky assinala que a manipulaçom do clima permitiria aos EUA dominar regions inteiras: “Seria a arma preventiva por excelência. Pode dirigir-se contra países inimigos ou ‘naçons amigas’ sem o conhecimento delas, utilizar-se para desestabilizar economias, ecossistemas e a agricultura. Poderia ainda devastar os mercados financeiros e comerciais. Umha agricultura desestabilizada cria maior dependência da ajuda alimentar e da importaçom de grao procedente dos EUA e de outros países ocidentais” (Dezembro de 2007). Há mais: os seus efeitos podem ser graves para o cérebro e para o comportamento humanos”. (Da guerra climática. Juan Gelman).

A partir dessa realidade, é lógico deduzir que a arma da guerra climática está a ser utiizada sem limites de escrúpulos contra a Bolívia, Equador, Venezuela, Cuba… por cérebros revirados ao serviço de um imperialismo realmente facineroso, capaz de causar à humanidade os maiores danos na sua missom impossível de sobreviver dominando.

E nada disto foge, além da pentagonizaçom extrema do poder estado-unidense, à enorme crise multifacética dessa grande potência, ao arrastamento da mesma em escala mundial e às grandes comoçons sociais e políticas que está chamada a provocar no nosso continente.

Três perguntas incómodas

Três perguntas me chegam à cabeça:

Devem desarmar-se os estados e as forças anti-imperialistas face a tal situaçom?

Será que é o momento certo para as FARC pactuarem a paz com Uribe?

O que é é que Barak Obama poderia fazer na Casa Branca contra esta marca imperial?

O desarmamento militar das forças alternativas é tam suicida como o seu desarmamento ideológico. E, no caso colombiano, é particularmente nocivo nom apenas para as perspectivas de umha mudança política substancial nesse país, o qual necessariamente passa pola derrota do engendro narco-paramilitar, oligárquico-imperialista e neoconservador representado polo regime de Uribe, como ainda para a defesa continental dos processos avançados latino-caribenhos, e muito especialmente para os da Venezuela e o Equador como países vizinhos.

É verdade que essese tenebrosos planos e programas –especialmente os que tenhem que ver com a acçom destrutiva directa dentro dessa peculiar concepçom da política de defesa dos EUA como potência decadente– se sintonizam muito mais com a maneira de pensar de MacCain (como continuidade neoconservadora) do que com a ideia do imperialismo ‘suave e inteligente’ assumida por Obama e por certos ‘tanques pensantes’ do Centro para Estratégia e Estudos Internacionais (CSIS), da Comissom Trilateral e da Comissom de Relaçons Exteriores.

Mas nom pode perder-se de vista que se trata de programas reais de umha espécie de ‘supra-poder’, de poder permanente ou fáctico, que nem passa por eleiçons nem é fácil de conter ou vergar.

Por isso, Kennedy e a Baía dos Porcos venhem-me à mente, se bem que em lugar da agressom a umha baía e a umha ilha caribenha, agora se trate de umha missom de muito maior dimensom e intensidade, de umha missom de guerra que devemos converter em impossível: a tomada militar da Amazonia e de todo um continente com grandes mudanças em curso.

E para tal, há que pensar numha resistência maciça e integral, num combate em todos os cenários, institucionais e extra-institucionais, regulares e irregulares, pacíficos e violentos, cívicos e insurgentes. Quer ganhe MacCain, quer Obama, ganhe o que mais harmoniza com o pentagonismo ou o que destoe em maior medida com ele, nom é aocnselhável depor firmezas nem clausurar vias, meios e roteiros.

Há que proceder em funçom da dureza essencial com que o grande inimigo dos povos agir, qualquer que seja o seu rosto externo. Para dar a resposta merecida aos mercenários de Girón e frustrar o plano gringo, Fidel nom reparou na presença de Kennedy na Casa Branca. Por cima dela tivo lugar o desembarco contra-revolucionário em Cuba e o golpe de Estado contra Bosch na República Dominicana. Os factos som os factos e em frente deles e dos seus protagonistas é que cumpre actuar.

A tese das ‘guerras preventivas’, o programa de ‘guerra global’, a mobilizaçom da IV Frota, Echelón, Carnívore, o Plano Haarp, o Plano Colômbia-Iniciativa Andina, a transferência da Base de Manta à Guajira colombiana (perto da fronteira com a Venezuela), os planos separatistas contra a integridade da Bolívia, Equador e a Venezuela, a infiltraçom paramilitar na Venezuela e Equador, a injecçom militarista para tentar converter a Colômbia num género de sub-imperialismo… nem som planos sem importáncia nem tenhem sido objectados por nengum dos componentes do bipartidarismo estado-unidense nem polos seus actuais candidatos.

Nom há, portanto, razom para baixarmos a guarda, menos ainda quando a profunda crise do ‘centro do mundo (EUA) terá que abalar as nossas naçons periféricas-dependentes. Está na hora de pensar com determinaçom de combate o despregamento de criatividade, somando e articulando toda a diversidade revolucionária e progressista.

Narciso Isa Conde é membro da Presidência Colectiva da Coordenadora Continental Bolivariana

 

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